segunda-feira, 12 de maio de 2014

Bem Aventurados os Pobres de Espírito.


  Por pobres de espírito, Jesus não entende os tolos, mas sim os humildes e diz que o Reino dos Céus é destes e não dos orgulhosos.

  Os homens cultos e inteligentes, segundo o mundo, fazem geralmente tão elevada opinião de si mesmos e de sua própria superioridade, que consideram as coisas divinas como indignas de sua atenção. É o orgulho quem direciona sua visão para esse caminho e que lhes impede de reconhecer o aprendizado superior nas pequeninas coisas da vida. Preocupados somente com eles mesmos, não podem elevar o pensamento a Deus, ou porque não querem, ou porque não são capazes neste momento de fazê-lo, requerendo mais tempo para despertarem para a vida espiritual.
  Essa tendência a se acreditarem superiores a tudo leva-os muito freqüentemente a negar o que, sendo-lhes superior, pudesse rebaixá-los, e a negar até mesmo a Divindade. Quantos não conhecemos que se dizem auto-suficientes no trabalho, nos estudos, nos relacionamentos sociais? Só lembram que Deus existe quando percebem serem incapazes de superar uma dificuldade que lhes foge ao conhecimento e às forças que eles têm, tal como a doença.
  E, se concordam em admitir a existência de Deus, contestam-lhe um dos seus mais belos atributos: a ação providencial sobre as coisas deste mundo, convencidos de que são suficientes para bem governá-lo. Tomando sua inteligência como medida da inteligência universal, e julgando-se aptos a tudo compreender, não podem admitir como possível aquilo que não compreendem. Negam primeiro, quando deveriam antes de tudo buscar compreender. Não é porque um caminho lhe leva para um local desconhecido que você deve negar que aquele caminho jamais o levará ao seu destino, o melhor é conhecer o caminho, ver aonde ele vai te levar e não pré-julgar.
  Ao dizer que o Reino dos Céus é para os simples, Jesus ensina que ninguém será nele admitido sem a simplicidade de coração e a humildade de espírito; que o ignorante que possui essas qualidades será preferido ao sábio que acreditar mais em si mesmo do que em Deus. Em todas as circunstâncias, ele coloca a humildade entre as virtudes que nos aproximam de Deus, enquanto o orgulho é a revolta contra Ele. Não é o humilde e simples de coração mais parecido com Jesus do que o orgulhoso e arrogante? Se o reino é de Jesus e sendo ele o modelo de caráter a ser seguido segundo a espiritualidade nos ensina, então os humildes e mansos, os simples e bondosos, estes todos serão recebidos com muito mais amor pelo esforço que fizeram em domar suas imperfeições, pela prática que exerceram na caridade ao próximo. A eles, não será dado somente o reino dos Céus, mas também o conhecimento que podem absorver por estarem mais evoluídos moralmente.
  Mais vale, portanto, para a felicidade do homem, ser pobre de espírito, no sentido mundano (material), e rico de qualidades morais.
  A pobreza não é, portanto, sinal de inferioridade como dizem os orgulhosos, ricos e esnobes. A pobreza material é oportunidade de exercer a simplicidade na vida, enquanto que a riqueza de bens é obstáculo gigantesco para a humildade, pois sempre nos induzirá ao erro da luxúria, da ganância e dos excessos. Se o orgulhoso refletir, se buscar no seu íntimo, notará que cada um é cada um, mas no geral, o pobre tende a se felicitar com as coisas mais singelas da vida, enquanto que o rico costuma precisar da ilusão dos bens caros e luxuosos. Onde está a felicidade, nos bens temporais ou nas coisas eternas do espírito?
  Reflitamos nisso e tentemos compreender a importância de sermos humildes para nos tornarmos capazes de reconhecer a bondade de Deus em nossas vidas e assim termos condições de aprendermos mais sobre a vida eterna do espírito.

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