terça-feira, 2 de setembro de 2014

Se desejas.


  Toda melhora parece distante.
 
  Toda superação surge como sendo quase impossível. Pediste, porém, o berço terrestre, no exato lugar em que te cabe aprender e reaprender.
 
  Não olvides, por isso, que o domínio da lição não dispensa a vontade.
 
  Recebeste no lar muitos daqueles que te não alimentam a simpatia.
 
  No entanto, se desejas, podes transformar toda aversão em amor, desde que te decidas a ajudá-los com paciência.
 
  Sofres o chefe insano, a crivar-te de inúmeros dissabores.
 
  Contudo, se desejas, podes convertê-lo em amigo, desde que te disponhas a auxiliá-lo sem pretensão.
 
  Padeces dura condição social, renteando o infortúnio.
 
  Todavia, se desejas, podes transfigurar a subalternidade em elevação, desde que te eduques, para que a vida te use em plano mais alto.
 
  Trazes o órgão enfermo, a cercar-te de inibições. Entretanto, se desejas, podes aproveitá-lo, na própria sublimação, em nível superior.
 
  Ainda hoje, é possível encontres sombras enormes...
 
  O obstáculo dos que te não compreendem, a palavra dos que te insultam, o apontamento insensato ou as lágrimas que a prova redentora talvez te venha pedir.
 
  Mas podes usar o silêncio e a oração, clareando o caminho...
 
  Declaras-te sem trabalho, amargando posição desprezível, mas, se desejas, podes ainda agora começar humilde tarefa, conquistando respeito e cooperação.
 
  Acusam-te de erros graves, criando-te impedimentos, mas, se desejas, podes tomar, em bases de humildade e serviço, a atitude necessária à justa renovação.
 
  Sentes-te dominado por esse ou aquele hábito vicioso, que te exila no desapreço, mas, se desejas, podes reaver o próprio equilíbrio, empenhando energia e tempo no suor do trabalho digno.
 
  Afirmas-te na impossibilidade de socorrer os necessitados, mas, se desejas, podes efetuar pequeninos sacrifícios domésticos em favor dos outros, de modo a que tua vida seja uma bênção na vida de teus irmãos.
 
   Para isso, porém, é preciso não esquecer os recursos singelos que tanta gente deixa ao olvido...

O minuto de tolerância.
O esquecimento de toda injúria.
O concurso anônimo.
A bondade que ninguém pede.
O contacto do livro nobre.
A enxada obediente.
A panela esquecida.
O tanque de lavar.
A agulha simples.
A flor da amizade.
O resto de pão.

Queixas-te de necessidade e desencanto, fadiga e discórdia, abandono e solidão, mas, se realmente desejas, tudo pode mudar...

Do livro "Religião dos Espíritos", cap. 83, Emmanuel (Espírito), Francisco C. Xavier (psicografia)  

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